sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Velharias - Ultima modificação 08/03/2006 20:15

Fragmentos de um diário

Menos de um mês para o reinício das aulas...
Dos nove livros de ficção que eu trouxe li apenas dois (sempre os planos nunca realizados)...

Não tenho a mínima vontade de voltar a estudar, quero rever os amigos, os conhecidos e as demais pessoas que formam aquele ambiente que tanto amo e detesto, que me exclui e do qual quero loucamente fazer parte. Aquele lugar que fede a [...], sabedoria, aparência e hipocrisia, onde me sinto deslocado por não saber sua língua de ideologias furadas e de melancolia. Onde eu sinto que as pessoas estão tão tristes, céticas e perdidas como eu, mas das quais me sinto incrivelmente distante. Sinto falta daquele lugar que faz sentir mal por [eu] nunca corresponder a expectativas, que me faz chorar por não entender teorias escritas por pessoas cujos ossos já viraram pó, e há muito já se misturaram a terra. Sinto falta daquele lugar onde não existo e no qual ficarei por no máximo mais quatro anos e onde deixarei marca alguma. Aquele maldito INSTITUTO que fantasiei durante dois anos de cursinho, onde enfim eu encontraria um rumo na minha vida, [onde] aprenderia uma profissão que ao mesmo tempo me conduziria à sabedoria e me diria como construir o que eu chamava de “um mundo melhor”...

Como eu era imbecil... melhor, como eu sou imbecil... Pelo menos eu descobri que não se deixa de ser um imbecil, e isto fica marcado na cara como um tapa a cada vez que se entra na imensa biblioteca e a cada texto lido e não compreendido e isto quando se lê o texto [...]

O INSTITUTO [...], foi para mim apenas mais uma vez onde eu disse “É agora que vou acontecer!!”. Disse isto pra mim em cada um dos meus anos do ensino médio e do cursinho e como nestes anos mais uma vez estou morrendo na praia... Outra vez saio, frustrado, pela porta dos fundos, pedindo desculpas, como sempre... O INSTITUTO foi apenas mais uma coisa que eu não soube fazer ao lado da música, do desenho, da matemática, do teatro, da biologia, da natação, do vôlei, do handball, das aulas de alemão, e de outras coisas e papéis mau desempenhados que gostaria de esquecer, mas que para minha infelicidade estão bem vivos na minha memória. O INSTITUTO foi apenas outro sonho esmagado pela minha própria incompetência...

Dia 6 de Março recomeçarei minha caminhada que chegará a lugar algum... E é desta forma porque perdi o interesse pelo que me propus estudar. Acabou o tesão pela coisa, sabe? Não entender e não conseguir bons resultados numa tarefa mina a motivação de qualquer pessoa, por isto decidi que apenas "irei levando” este curso, e se eu termina-lo o pomposo papel atestador do meu título de “Bacharel” repousará no fundo de uma gaveta lá em casa. Não posso simplesmente desistir e caçar outra coisa para fazer, primeiro por que mais nada me interessa e segundo porque preciso dizer para mim e para os outros que eu faço alguma coisa da vida, não posso me ver e deixarem me ver como um vagabundo oficial, preciso manter minha aparência de “rapaz-intelctual-dedicado-gente-boa-responsável”.

Quando as aulas voltarem, novamente me verei sem grana pro xerox[...]

Mais uma vez me dedicarei a ler teorias que não entenderei, assistirei aulas nas quais não aprenderei coisa alguma, entregarei provas em branco, atrasarei a entrega de trabalhos (isto se eu os entregar) e em outras provas lerei coisas do tipo ”Faltou desenvolver o tema”, “falta profundidade na discussão”, “Você apenas expôs o problema”, isto sem contar os inúmeros pontos de interrogação, salpicados como orégano, na folha toda.

A partir do dia 6 de Março sei que subirei pelas paredes preocupado para não reprovar o semestre sabendo que no máximo serei aprovado graças á caridade de um professor gente boa.

A partir do dia 6 de Março ficarei vagabundeando no CPD o dia todo por que não terei ânimo para estudar.

A partir do dia 6 de Março serei inconseqüente e esperarei, imóvel como o Davi do quadro [esperarei ser tocado por deus] , por uma solução mágica para todos os meus problemas, mesmo sabendo que esta solução não virá jamais.

A partir do dia 6 de Março começa o Inferno

A partir do dia 6 de Março, quase todos os dias subirei até o último piso, e mirando o horizonte apoiado numa janela me perguntarei: “Quando chegará o dia em que terei coragem pra deixar toda esta merda pra trás?”

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